Montar painéis não é só aparafusar módulos ao telhado: há telhado para avaliar, equipamento para escolher e ligações elétricas que não admitem improvisos. Aqui está tudo, passo a passo, com o que podes fazer sozinho e o que fica para um profissional.
- Planear é DIY
- Ligação = técnico certificado
- UPAC na DGEG
A montagem passo a passo
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1. Planeamento: começa pelo telhado
Antes de pedir orçamentos, percebe o que tens, e dá para fazer da secretária. Abre o Google Earth (ou o Google Maps em satélite), usa a régua e desenha a área da água virada a sul. Tira chaminés, claraboias e faixas com sombra de uma árvore ou do prédio ao lado. Como cada painel ocupa cerca de 2 m², divide a área útil por 2 para saberes, mais ou menos, quantos cabem. Repara também no estado da cobertura: se a telha já pede obra, trata disso antes. E pensa no objetivo: baixar a fatura, ganhar independência ou ter luz quando falta a corrente? A resposta muda tudo o resto.
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2. Escolher o equipamento
São três peças. Os painéis (os módulos, hoje quase sempre entre 400 e 460 W cada), o inversor (transforma a corrente contínua dos painéis na corrente alternada que a casa usa) e, se quiseres guardar energia, as baterias. Se vais ter baterias, um inversor híbrido junta as duas funções numa caixa só e simplifica tudo. O que interessa é a compatibilidade: o inversor tem de aguentar a tensão e a corrente do conjunto de painéis. Não precisas de decorar números; o instalador confirma, mas é bom saber que existe.
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3. Fixação, conforme o teu telhado
A estrutura depende da cobertura. Em telha cerâmica, ganchos que passam por baixo da telha e agarram ao barrote. Em chapa ou painel sandwich, calhas com fixadores próprios. Em terraço plano, estruturas em triângulo, com lastro ou aparafusadas, que dão a inclinação que o telhado não tem. Seja qual for, tem de aguentar o vento da zona (litoral e ilhas pedem mais cuidado) e não pode deixar entrar água. Um furo mal vedado hoje é uma mancha no teto daqui a dois invernos.
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4. Colocar os módulos
Os painéis prendem-se às calhas com grampos (uns ao meio, outros nas pontas), sempre nas posições que o fabricante indica. Sair dessas marcas pode dar cabo da garantia. Deixa uma folga por baixo para o ar circular: painel muito quente produz menos, e no verão português isso conta.
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5. Ligações elétricas (a parte séria)
Os painéis ligam-se em série, formando uma string, com conetores próprios e cabo preparado para anos de sol. Quantos painéis por string depende dos limites do inversor, e há um pormenor traiçoeiro: no frio, a tensão dos painéis sobe, e é preciso contar com isso para não queimar nada. Entram ainda proteções, seccionadores e uma boa ligação à terra. Aqui não há meios-termos: esta fase é para um técnico qualificado. Não é sítio para tentativas.
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6. Ligar à rede ou ficar isolado
Num sistema ligado à rede, o inversor sincroniza com a rede da E-REDES (EDA nos Açores, EEM na Madeira) e o que sobra vai lá para fora. Em off-grid (isolado, sem rede), as baterias deixam de ser opção e passam a obrigatórias, porque à noite não há de onde vir a energia. Esta escolha muda as proteções, os contadores e a papelada.
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7. Arranque e verificação final
Com tudo ligado, faz-se o arranque: confirmam-se polaridades e ligação à terra, liga-se o inversor, testa-se a produção e configura-se a monitorização (a app onde vais espreitar quanto produziu). Vê se os valores batem certo com a época do ano e guarda os números iniciais. Servem de comparação para perceberes, mais tarde, se está tudo a funcionar como deve.
Segurança e legalização, sem rodeios
Há trabalho em altura e corrente contínua de alta tensão que fica viva enquanto houver luz. Junta a ligação à rede, que exige assinatura de um técnico responsável e o registo do autoconsumo (UPAC) na DGEG, e a conclusão é simples: um sistema ligado à rede deve ser instalado por um profissional certificado. Este guia serve para chegares à conversa a saber do que se fala e a fazer as perguntas certas, não para substituir quem tem formação.
Antes de escolher equipamento, acerta o tamanho do sistema. Vê o guia para dimensionar o sistema solar. Se preferires, o planeador faz essas contas por ti em dois minutos.
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Posso montar os painéis solares eu mesmo?
Podes tratar do planeamento, da escolha do equipamento e da preparação, mas a ligação elétrica de um sistema ligado à rede tem de ser feita e assinada por um técnico responsável, e o autoconsumo (UPAC) registado na DGEG. Os painéis dão corrente contínua de alta tensão sempre que há luz, mesmo desligados, e mexer no quadro elétrico é perigoso sem formação. Regra simples: planeia à vontade, mas deixa a parte elétrica e a ligação à rede para um profissional certificado.
Que orientação e inclinação são melhores em Portugal?
Virado a sul e com 30 a 35 graus de inclinação, os painéis dão o máximo ao longo do ano. Desvios para sudeste ou sudoeste quase não se notam. Nascente ou poente perdem mais, mas às vezes compensa se gastas sobretudo de manhã ou ao fim da tarde. Para saber para onde está virado o telhado, abre a app de bússola do telemóvel e encosta-a à água do telhado.
Como sei quantos painéis cabem no meu telhado?
Não precisas de lá subir. Abre o Google Earth ou o Google Maps em satélite, usa a régua e desenha a área da água virada a sul. Tira chaminés, claraboias e zonas à sombra. Como cada painel ocupa cerca de 2 m² (mais ou menos 1,9 m por 1,1 m), divide a área útil por 2 para uma boa estimativa de quantos cabem.
Preciso mesmo de baterias?
Nem sempre. Um sistema ligado à rede funciona sem baterias: de dia usas o sol e o que sobra vai para a rede. As baterias guardam energia para a noite ou para quando falta a corrente, e só são obrigatórias em sistemas isolados (off-grid). Se estás quase sempre fora de dia, ajudam a aproveitar mais; se estás em casa de dia, muitas vezes não compensam.